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Sazonalidade Capilar: Em Que Época do Ano o Cabelo Cai Mais? (Parte 1)
Se você já teve a sensação de que o seu pente fica muito mais cheio de fios em determinadas épocas do ano, saiba que você não está imaginando coisas. A percepção de que a queda de cabelo aumenta em ciclos sazonais é amplamente debatida na dermatologia e na tricologia moderna. Mas afinal, qual é a estação em que o cabelo cai mais e por que isso acontece?
O Ciclo de Vida do Fio e a Queda Fisiológica
Para entender por que o cabelo cai mais em certas épocas, primeiro precisamos compreender como o folículo piloso funciona. O ciclo capilar é um processo dinâmico dividido em três fases principais:
Fase Anágena (Crescimento): É o período em que o cabelo cresce ativamente a uma taxa constante. Dura de dois a seis anos, sendo a fase mais longa do ciclo, onde cerca de 85% a 90% dos fios do couro cabeludo se encontram simultaneamente.
Fase Catágena (Transição): Uma fase curta que dura cerca de duas a três semanas. O crescimento cessa por completo e o folículo se contrai, preparando-se para o repouso.
Fase Telógena (Repouso e Queda): Dura em torno de dois a três meses. O fio permanece ancorado no folículo até que seja gradualmente empurrado para fora por um novo fio que começa a nascer na base. É perfeitamente normal perder entre 50 a 100 fios por dia nesta fase.
A queda diária faz parte da renovação natural do organismo. No entanto, quando ocorre uma sincronização maior de folículos entrando na fase telógeno ao mesmo tempo, experimentamos o chamado eflúvio telógeno sazonal.
O Outono: O Verdadeiro Pico da Queda Capilar
Cientificamente, diversos estudos dermatológicos e clínicos apontam o outono como a estação em que a queda de cabelo atinge o seu pico mais expressivo. Embora muitas pessoas notem a queda com mais força no inverno ou na primavera, o processo fisiológico que desencadeia essa perda geralmente começa meses antes, durante os meses mais quentes do verão.
Durante o verão, a exposição intensa à radiação ultravioleta (UV), o calor excessivo, o sal do mar e o cloro das piscinas exercem um estresse oxidativo e físico direto sobre o couro cabeludo e a haste capilar. Para se proteger desses fatores agressores e do calor intenso, o organismo pode reagir acelerando a transição de uma parcela maior de fios da fase de crescimento (anágena) diretamente para a fase de repouso (telógena).
Como a fase telógena tem um período de latência de aproximadamente dois a três meses antes que o fio efetivamente se descole e caia, o reflexo desse estresse de verão só se torna visível quando as temperaturas começam a cair e o clima fica mais seco, coincidindo exatamente com a chegada do outono.
Fatores Evolutivos e Ambientais
Curiosamente, alguns pesquisadores sugerem que a nossa herança evolutiva também desempenha um papel fundamental nesse processo. Assim como os mamíferos trocam de pelagem em resposta à variação de luz solar (fotoperíodo) e à temperatura para se adaptarem ao clima, os seres humanos mantiveram um resquício dessa resposta adaptativa ancestral.
Luminosidade e Fotoperíodo: A variação na quantidade de horas de luz solar diária afeta diretamente a produção de melatonina e outros hormônios reguladores que influenciam o metabolismo celular do folículo.
Variações Térmicas e Umidade: Mudanças drásticas na umidade do ar e na temperatura ambiente afetam a hidratação e a microcirculação sanguínea periférica no couro cabeludo, alterando a nutrição dos fios.
O Papel da Sazonalidade e Quando Buscar Ajuda Profissional
Embora o eflúvio telógeno sazonal seja um fenômeno natural e temporário — geralmente resolvendo-se sozinho entre 6 a 8 semanas —, é fundamental saber diferenciar a queda comum daquela que exige atenção médica.
Durante os meses de transição, o couro cabeludo pode passar por estresses adicionais devido a mudanças bruscas de temperatura, variações na umidade do ar e até mesmo alterações na rotina de cuidados diários. No entanto, se a perda de fios persistir por mais de dois meses, vier acompanhada de falhas evidentes no coro cabeludo, coceira intensa, descamação ou vermelhidão, é imprescindível consultar um dermatologista ou um tricologista.
Dicas Práticas para Proteger os Fios no Dia a Dia
Para minimizar os impactos da queda sazonal e manter a saúde capilar em dia, adote hábitos simples na sua rotina:
Evite água muito quente: A temperatura elevada da água desidrata os fios e estimula a produção excessiva de Oleosidade pelas glândulas sebáceas, o que pode enfraquecer a raiz.
Alimentação equilibrada: O cabelo é composto principalmente por proteínas (queratina). Garanta o consumo adequado de vitaminas do complexo B, ferro, zinco e proteínas magras.
Cuidado ao desembaraçar: Com os fios mais frágeis nesta época, evite escová-los com força quando estiverem molhados. Prefira pentes de dentes largos.
Controle o estresse: O estresse físico e emocional é um dos maiores gatilhos para a queda capilar difusa. Pratique atividades físicas e garanta boas noites de sono.
Entender que o seu cabelo tem ciclos naturais de renovação ajuda a evitar preocupações desnecessárias. Com um pouco de paciência e uma rotina de cuidados adequada, os fios logo se recuperam e retomam o seu crescimento saudável.
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