A resposta curta e pragmática para quem procura saber qual melhor moeda para 2023 aponta para o Dólar Americano (USD) como o porto seguro dominante, ainda que o Franco Suíço e o Euro apresentem janelas de oportunidade táctica em função da estabilização das taxas de juro globais. O ano de 2023 é marcado por uma volatilidade latente e uma política monetária agressiva por parte da Reserva Federal dos Estados Unidos, o que mantém a liquidez centrada na nota verde. Sejamos claros: a procura por proteção supera a busca por rendimento no cenário atual. Quer entender como navegar nestas águas sem afundar o seu património?

O panorama macroeconómico e o tabuleiro das divisas globais

A ressaca da inflação e o peso das taxas de juro

O problema é que muitos investidores ignoram a inércia dos bancos centrais quando o assunto é o custo do dinheiro. No início de 2023, o mundo ainda tentava perceber se a inflação tinha batido no teto ou se era apenas um descanso antes de nova subida. Quando a Reserva Federal (Fed) decide manter os juros altos, ela cria um íman gigante para o capital global. É matemática simples, embora a execução seja um caos. O dinheiro flui para onde é mais bem remunerado com o menor risco possível. É aqui que as moedas de economias emergentes costumam morder o pó, pois não conseguem competir com a segurança de um T-Bond americano que paga 4 ou 5 por cento ao ano. Onde falha a maioria das análises é em acreditar que o mercado cambial é um reflexo direto do PIB. Não é. É um reflexo da escassez e da política monetária bruta.

O conceito de porto seguro num ano de incerteza política

Para determinar qual melhor moeda para 2023, precisamos de olhar para a estabilidade geopolítica. O Franco Suíço continua a ser o padrão-ouro das moedas fiduciárias, mesmo que não tenha ouro físico a lastrear cada nota. A Suíça mantém-se como uma ilha de previsibilidade num continente europeu que ainda lida com os estilhaços energéticos de um conflito a leste. O investidor institucional não quer saber de promessas de crescimento de 10 por cento se houver o risco de a moeda desvalorizar 20 por cento num fim de semana por causa de um gasoduto fechado ou de uma eleição surpresa. Onde falha o investidor comum é em confundir moeda para gastar com moeda para proteger riqueza. Se o objetivo é preservação, o Franco Suíço é o senhor que se segue quando o Dólar parece demasiado esticado no gráfico.

O reinado do Dólar Americano e a resiliência do Tio Sam

A hegemonia do USD face ao aperto quantitativo

Não há como fugir ao óbvio: o Dólar é a espinha dorsal do comércio mundial. Em 2023, o fenómeno do "Dollar Smile" tornou-se evidente. A moeda americana ganha valor tanto quando a economia dos Estados Unidos vai muito bem, como quando o resto do mundo vai muito mal e todos correm para a segurança da maior economia do planeta. Onde falha a narrativa do fim do Dólar é na ausência de uma alternativa real com a mesma profundidade de mercado. Sejamos claros, o Yuan chinês ainda tem controlos de capital que afastam qualquer gestor de fundos sério que precise de liquidez imediata. O Dólar, apesar das críticas à dívida americana, continua a ser a moeda que todos aceitam quando o céu começa a cair. É a lei da selva financeira.

A divergência de políticas entre a Fed e o BCE

A dinâmica entre o par EUR/USD é o maior espetáculo da terra no mercado Forex. Durante a primeira metade de 2023, vimos um Euro a tentar recuperar terreno à medida que o Banco Central Europeu (BCE) acordava para o pesadelo inflacionário e começava, finalmente, a subir os juros com convicção. No entanto, o diferencial de juros ainda favorece o Dólar. Onde falha a moeda única europeia é na fragmentação dos seus estados-membros. O BCE tem de equilibrar a inflação na Alemanha com o risco de incumprimento na Itália. É uma corda bamba constante. Para quem pergunta qual melhor moeda para 2023, o Euro apresenta-se como uma aposta de recuperação, mas o Dólar continua a ser o porto onde o navio descansa em paz durante a tempestade.

Impacto da energia e balança comercial no valor da moeda

O preço das matérias-primas tem um efeito direto e violento no valor das moedas. Os Estados Unidos tornaram-se exportadores líquidos de energia, o que dá ao Dólar uma camada de proteção que o Euro ou o Iene japonês simplesmente não possuem. Quando o preço do petróleo sobe, a Europa tem de vender Euros para comprar Dólares e pagar a fatura energética. Isso cria uma pressão vendedora constante sobre a moeda europeia. O problema é que esta dependência externa não se resolve em meses, mas em décadas. Por isso, a força do Dólar em 2023 não é apenas um capricho dos mercados financeiros, mas uma consequência estrutural de quem tem os recursos e quem tem de os importar a qualquer custo.

O renascimento (ou não) do Euro e da Libra Esterlina

O Euro e o desafio da unidade monetária

Onde falha o Euro é na sua própria génese de "moeda sem estado". Em 2023, a questão da sobrevivência do Euro já não está no topo da agenda, mas a sua relevância internacional sim. Após bater a paridade com o Dólar no ano anterior, o Euro iniciou um caminho de correção. Para o investidor que olha para qual melhor moeda para 2023 com uma perspetiva de reversão à média, o Euro tornou-se atraente. Sejamos claros: comprar Euro a 1.05 ou 1.08 contra o Dólar parece um negócio muito mais sensato do que ter comprado a 1.20 há uns anos. É a moeda da resiliência, sobrevivendo a crises que muitos analistas diziam ser terminais. Contudo, o teto de crescimento é limitado pela burocracia de Bruxelas e pela falta de um mercado de capitais unificado.

A Libra Esterlina sob o microscópio pós-Brexit

A Libra passou por um verdadeiro filme de terror no final de 2022, com políticas fiscais que quase derreteram os fundos de pensões britânicos. Em 2023, a missão é a reconstrução da credibilidade. Onde falha a Libra é na incerteza económica de um Reino Unido que ainda procura o seu lugar fora do mercado único. A inflação no Reino Unido tem-se mostrado mais teimosa do que nos seus pares, o que obriga o Banco de Inglaterra a ser agressivo. Isso, ironicamente, pode dar suporte à moeda no curto prazo, pois juros altos atraem capital. Mas não se enganem, é uma moeda para quem tem estômago forte e acredita que o pior já passou para a City londrina.

Alternativas exóticas e o refúgio nas moedas de mercadorias

Dólar Canadiano e Australiano: Ouro e Petróleo no bolso

Para quem busca diversificar e quer saber qual melhor moeda para 2023 fora do eixo tradicional, as moedas "commodity" são a resposta. O Dólar Australiano (AUD) é quase um proxy para o crescimento chinês e para o preço do minério de ferro. Já o Dólar Canadiano (CAD) move-se ao ritmo do Brent e do WTI. O problema é que estas moedas são ciclistas: pedalam muito quando a economia global acelera, mas travam a fundo quando há medo de recessão. Sejamos claros, estas não são moedas para guardar debaixo do colchão durante uma crise sistémica, mas são ferramentas poderosas para capturar ciclos de inflação de ativos físicos. Onde falha o investidor amador é em entrar nestas moedas quando o preço das mercadorias já está nas nuvens, chegando atrasado para a festa e ficando com a conta para pagar.