Quando a França parou de usar a guilhotina?
A guilhotina, símbolo do Terror Revolucionário francês, permaneceu como método oficial de execução por muito tempo depois da Revolução. A última execução pública aconteceu em 17 de junho de 1939, quando Eugen Weidmann foi decapitado em Versalhes. A cena causou grande comoção: a multidão se comportou de forma quase selvagem, com pessoas subindo em árvores para ver melhor e relatos de histeria coletiva. Diante disso, o governo decidiu que as execuções passariam a ocorrer dentro das prisões, longe dos olhares do público.
Apesar disso, a pena de morte continuou em vigor na França por mais décadas. A última pessoa a ser executada com a guilhotina foi Hamida Djandoubi, um imigrante tunisiano condenado pelo assassinato de uma jovem. O ato ocorreu em setembro de 1977, dentro da prisão de Baumettes, em Marselha. Sua morte marcou o fim de um ciclo sombrio na história judicial do país.
Dois anos após a execução de Djandoubi, em 30 de setembro de 1981, a França finalmente aboliu a pena de morte. A decisão foi tomada pelo ministro da Justiça da época, Robert Badinter, figura emblemática na luta contra a execução capital. Desde então, a França considera a pena de morte incompatível com os direitos humanos e a dignidade da pessoa humana.
Hoje, a guilhotina é lembrada como um instrumento de um passado controverso — parte da memória nacional, mas rejeitada como prática de justiça. O país caminhou de um simbolismo violento para um compromisso com a dignidade, transformando-se em exemplo de aboliciónismo penal.
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