Como era o jejum nos tempos antigos
O jejum, na época do Novo Testamento, era uma prática espiritual muito presente na vida dos judeus. Entre os grupos religiosos daquele tempo, os fariseus destacavam-se por jejuar duas vezes por semana — normalmente nas segundas e quintas-feiras. Esse costume, no entanto, nem sempre vinha de um desejo sincero de se aproximar de Deus.
Para muitos, jejuar tornou-se uma forma de exibir piedade. Os fariseus, em particular, viam o jejum como uma prova de devoção que os colocava acima dos demais. Acreditavam que, por meio dessa prática, mereciam mais atenção e aprovação divina. Jesus, em alguns momentos, apontou esse erro sutil: o coração humano tende a transformar até mesmo atos santos em demonstrações de superioridade.
No Evangelho segundo Lucas, há uma parábola em que um fariseu agradece a Deus por não ser como os outros homens — e menciona, orgulhoso, que jejuava duas vezes por semana. Já o publicano, ao lado, apenas pede misericórdia. Jesus deixa claro: foi este último quem voltou para casa justificado.
Essa lição permanece viva. O jejum, quando bem vivido, não é sobre regras ou aparências. É um momento de humildade, de silêncio, de escuta. Quando o coração está aberto, o sacrifício do alimento torna-se caminho para o encontro verdadeiro com Deus — não com o intuito de se exaltar, mas de se esvaziar.
Comentários
Ainda sem comentários. Seja o primeiro a reagir.