Os Três Tipos de Heurísticas Segundo Tversky e Kahneman

Quando tomamos decisões, nem sempre analisamos cada detalhe com lógica rigorosa. Muitas vezes, o cérebro recorre a atalhos mentais para agilizar o processo. Esses atalhos são chamados de heurísticas, um conceito desenvolvido pelos psicólogos Amos Tversky e Daniel Kahneman em 1974. Eles identificaram três tipos principais que influenciam fortemente a forma como interpretamos informações e tomamos decisões no dia a dia.

O primeiro é o heurístico de representatividade. Funciona quando julgamos a probabilidade de algo ocorrer com base em como se parece com um estereótipo ou padrão conhecido. Por exemplo, se alguém descreve uma pessoa como tímida e organizada, podemos assumir que ela é bibliotecária, mesmo sem dados concretos.

O segundo é o heurístico de disponibilidade (ou acessibilidade). Nesse caso, damos mais peso a eventos que lembramos com facilidade, especialmente se são recentes ou emocionantes. Por isso, muitas pessoas têm mais medo de voar do que de dirigir — apesar de os acidentes de carro serem muito mais comuns — porque os acidentes aéreos são amplamente divulgados na mídia.

O terceiro é o heurístico de ajuste e anclagem. Esse ocorre quando nos baseamos fortemente na primeira informação que recebemos (a "âncora") ao tomar decisões. Um preço inicial alto em uma negociação, por exemplo, influencia toda a discussão seguinte, mesmo que o valor não seja realista.

Essas heurísticas são úteis na vida cotidiana, mas também podem levar a erros de julgamento. Conhecê-las ajuda a entender como o pensamento humano opera — muitas vezes com eficiência, outras com viés. Um tema essencial no estudo da psicologia do raciocínio e da tomada de decisões, como destacado em materiais da Faculdade de Psicologia da UBA.

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