O que causou a hiperinflação no Brasil?

A hiperinflação que o Brasil enfrentou por mais de duas décadas foi resultado de escolhas econômicas desastrosas iniciadas na década de 70, principalmente durante o Regime Militar. Naquele período, o governo apostou em grandes projetos estruturais — como estradas, usinas e obras faraônicas — para impulsionar o desenvolvimento do país. O problema? Muito desse crescimento foi financiado com dívida externa crescente, sem uma base sólida de produção ou crescimento econômico sustentável.

Com o tempo, os juros subiram, o petróleo ficou mais caro no cenário internacional e o Brasil simplesmente não tinha condições de honrar seus compromissos. Em vez de corrigir o rumo, os governos seguintes continuaram aumentando a emissão de moeda para cobrir os buracos nas contas públicas. Quanto mais dinheiro era impresso sem lastro, mais o valor do cruzeiro — a moeda da época — despencava.

O resultado foi uma espiral viciosa: os preços subiam todos os dias, às vezes até várias vezes por dia. Comida, transporte, remédios — tudo ficava inacessível para a população. A inflação chegou a níveis inimagináveis, superando mil por cento ao ano na virada dos anos 80 para os 90. O cotidiano virou um pesadelo: famílias precisavam fazer compras logo cedo, antes dos reajustes; salários perdiam valor em poucas horas.

A solução só veio com o Plano Real, em 1994, que finalmente estabilizou a moeda e devolveu um pouco de tranquilidade aos brasileiros. Mas o trauma da hiperinflação ainda ecoa na memória coletiva de quem viveu aqueles tempos de incerteza e descontrole.

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