O que é o Abandono Afetivo do Idoso?

O abandono afetivo do idoso vai muito além da falta de cuidados materiais. Trata-se da ausência de presença, de diálogo, de carinho e de vínculos saudáveis com quem envelhece. Muitas vezes, os filhos ou familiares próximos mantêm o idoso alimentado, medicado e em um lar, mas o deixam emocionalmente só. Esse vazio, embora invisível, machuca profundamente.

É um tipo de negligência que a sociedade ainda subestima. A solidão prolongada pode agravar doenças como depressão, pressão alta e até demências. E, como destaca o IBDFAM – Instituto Brasileiro de Direito de Família –, a falta de afeto, especialmente com pessoas vulneráveis como idosos, não é apenas uma falha emocional: pode ser encarada juridicamente como prática reprovável.

Mesmo sem uma lei específica chamada "lei do abandono afetivo", tribunais já reconhecem esse dano em decisões. Existem casos em que filhos foram obrigados a prestar assistência moral ao pai ou à mãe idosa, sob pena de multa. A Justiça entendeu que o dever de cuidar inclui o respeito, a visita, a escuta e o convívio.

Não se trata de criminalizar famílias, mas de lembrar que envelhecer não é sinônimo de invisibilidade. Um idoso precisa de mais do que comida e remédios: precisa de pertencimento. Um telefonema, uma visita, uma mão segurada podem fazer toda a diferença. O afeto não é luxo — é direito humano.

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