As últimas palavras de Maria Antonieta

Em 16 de outubro de 1793, às 12h15, Maria Antonieta, ex-rainha da França, enfrentou seu destino na Praça da Revolução – hoje conhecida como Praça da Concórdia. Aos 37 anos, apenas duas semanas antes de completar 38, foi conduzida à guilhotina acusada de traição, num dos momentos mais dramáticos da Revolução Francesa.

Vestindo uma simples túnica branca, com as mãos amarradas nas costas, caminhou com dignidade até o cadafalso. Apesar do peso da hora final, sua compostura chamou atenção. Segundo relatos históricos, ao subir os degraus, acabou pisando no pé do carrasco Charles Henri Sanson. Naquele instante, com um gesto de educação quase automático, disse: “Perdoe-me, senhor, foi sem querer.”

Essas palavras, breves e humanas, contrastam fortemente com a imagem distorcida que muitos tinham dela – de uma rainha indiferente e luxuosa. Na verdade, Maria Antonieta, nascida na Áustria e casada com Luís XVI ainda jovem, foi vítima de um tempo de ódio, medo e transformação radical do poder.

Sua frase final não foi de rebeldia, nem de desespero, mas de cortesia. Um detalhe pequeno, talvez até banal em outro contexto, que revela, no entanto, uma presença de espírito rara diante da morte. Poucos minutos depois, a lâmina caiu, encerrando a vida de uma mulher que se tornou símbolo tanto do excesso da monarquia quanto da crueldade dos tempos revolucionários.

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