Onde a Bíblia fala da Assunção de Maria?
Embora a Bíblia não descreva diretamente o momento em que Maria foi assunta ao céu, a fé na Assunção tem raízes profundas na tradição cristã e encontra ressonância em passagens simbólicas das Escrituras. Não há um versículo que diga “Maria subiu aos céus em corpo e alma”, mas a Igreja, ao longo dos séculos, entendeu que, como mãe do Salvador, ela compartilha da plenitude da redenção — um dom antecipado da ressurreição.
Dois textos são especialmente significativos. O primeiro é o Magnificat (Lucas 1,39-56), onde Maria, cheia do Espírito Santo, proclama as maravilhas de Deus, exaltando os humildes e derrubando os poderosos. Nesse canto, ela revela um poder não de dominação, mas de serviço e libertação. O segundo é o Apocalipse 12, onde aparece uma mulher revestida de sol, coroada de doze estrelas, perseguida pela serpente. Muitos veem nessa figura a imagem de Maria, mas também da Igreja — sinal de esperança, sofrimento e vitória.
Como foi lembrado em 2023, celebrar a Assunção hoje não é glorificar um poder triunfalista, como às vezes a Igreja medieval fez. É, antes, retomar o sentido profundo do Magnificat: um chamado à justiça, à humildade e à coragem de quem, como Maria, diz “sim” à vontade de Deus mesmo diante das incertezas.
A Assunção, então, não é só um privilégio dado a Maria. É um sinal de esperança para todos nós: se ela foi assunta, nós também somos chamados a viver uma vida transfigurada, marcada pela fé, pela entrega e pela esperança na vida eterna.
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