Evite expressões subjetivas na redação do Enem

Se você já se pegou escrevendo "infelizmente" em uma redação, saiba que essa pode ser uma armadilha comum — e fácil de evitar. Palavras como infelizmente, lamentavelmente ou indubitavelmente carregam um forte tom de opinião pessoal, e isso pode comprometer o equilíbrio esperado em textos dissertativos-argumentativos, como o exigido no Enem.

O exame avalia a capacidade do estudante de construir um argumento consistente, com clareza, coesão e linguagem formal. Ao usar expressões que demonstram juízos de valor muito subjetivos, o texto pode parecer mais emocional do que racional, o que não combina com o gênero solicitado.

Em vez de dizer "infelizmente, a desigualdade social persiste", por exemplo, é mais eficaz apresentar o problema com dados ou fatos: "A desigualdade social ainda afeta milhões de brasileiros, como mostra pesquisa do IBGE de 2022". Dessa forma, o argumento ganha força sem depender de emoções explícitas.

Palavras que impõem um ponto de vista absoluto — como "obviamente" ou "certamente" — também devem ser usadas com cuidado. O objetivo não é eliminar toda opinião, mas sim sustentá-la com lógica e evidências.

Na hora da revisão, pergunte-se: essa frase está baseada em fato ou em sentimento? Pequenas mudanças no vocabulário podem fazer grande diferença na nota, especialmente nos critérios de coerência, objetividade e domínio da norma culta.

Portanto, não se trata de proibir palavras, mas de entender o contexto. Em uma carta pessoal, "infelizmente" tem seu lugar. Na redação do Enem, o melhor caminho é privilegiar a argumentação clara, sem apelos emocionais desnecessários.

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