Por que a Burguesia Combatia o Mercantilismo?

Com o crescimento das cidades e o avanço do comércio nas centenas de anos que antecederam a Revolução Industrial, surgiu uma nova classe social com grande influência: a burguesia. Composta por comerciantes, banqueiros e industriais, essa classe enriquecia produzindo e vendendo bens, mas via seus lucros limitados pelo sistema então dominante — o mercantilismo.

Sob o mercantilismo, os reis e seus governos controlavam rigidamente o comércio. Havia monopólios estatais, restrições às trocas internacionais e um controle rígido sobre as colônias, especialmente através do chamado Pacto Colonial. Isso significava que as colônias só podiam comercializar com a metrópole, limitando onde os produtos podiam ser vendidos ou comprados. Para a burguesia, isso era um obstáculo ao crescimento.

Afinal, o que eles queriam era liberdade para expandir seus negócios. Queriam abrir novos mercados, importar matérias-primas sem barreiras e exportar seus produtos industrializados para onde desejassem. O sistema mercantilista, voltado para o acúmulo de ouro e o poder do Estado, sufocava essas ambições comerciais.

Por isso, a burguesia passou a pressionar por mudanças. Enquanto os reis absolutos defendiam o controle estatal sobre a economia, os burgueses apostavam no livre-câmbio e na diminuição da intervenção do Estado. Essa luta foi um dos motores da crise do absolutismo e abriu caminho para novas ideias econômicas, como o liberalismo, que pregava o fim dos monopólios e o estímulo à livre concorrência.

Assim, o declínio do mercantilismo não foi apenas econômico — foi também o triunfo de uma classe que queria mais espaço para crescer.

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