O Maior Salário do Governo Brasileiro
Quando se fala em salários no setor público brasileiro, um nome se destaca: o escrivão ou titular de cartório. Apesar de a função operar em uma zona híbrida entre o público e o privado, ela é considerada uma atividade delegada pelo Estado, o que a inclui entre as remunerações ligadas ao funcionalismo.
Segundo dados coletados de declarações do IRPF de 2015, o rendimento anual médio de um dono de cartório pode chegar a cerca de R$ 1,1 milhão — uma média mensal equivalente a aproximadamente R$ 91 mil. Esse valor coloca a função no topo da lista dos maiores rendimentos vinculados ao Estado.
Chama a atenção também o fato de que, entre os dez maiores salários do país naquele período, seis eram de servidores públicos. Isso mostra como certas posições dentro da estrutura estatal podem alcançar remunerações muito acima da média nacional, ainda que praticamente desconhecidas pela população em geral.
Os cartórios, responsáveis por registros civis, imóveis, notificações e outras funções essenciais, são explorados por meio de concessão vitalícia feita pelo Poder Judiciário. Com isso, o titular tem autonomia para gerir o serviço e receber emolumentos — taxas pagas pelos usuários — que, em grandes centros urbanos ou regiões com alta demanda, podem gerar lucros expressivos.
Apesar das discussões sobre privatização e modernização, o modelo ainda prevalece no Brasil. E enquanto a reforma não avança, profissões como essa continuam figurando entre os maiores salários do país — muitos deles sustentados, indiretamente, pela estrutura do Estado.
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