De onde vem o mal?
Uma das perguntas mais antigas da humanidade ainda ecoa em nossos dias: quem criou o mal, Deus ou o Diabo? Afinal, se acreditamos que Deus criou tudo, será que Ele também criou o mal? A resposta, para muitos pensadores e teólogos, não é tão simples.
Deus, descrito como infinitamente bom e perfeito, não pode ser o autor direto do mal. Afinal, o mal, em sua essência, não é uma criação, mas uma ausência — como a escuridão é ausência de luz. O mal surge, então, não como algo feito por mãos divinas, mas como consequência do livre-arbítrio, dado por Deus aos seres humanos e até às criaturas espirituais.
O Diabo, originalmente um anjo bom, teria caído por escolha própria, movido pelo orgulho e pela desobediência. Assim, o mal não foi criado por Deus, mas permitido, como parte de um plano maior onde a liberdade é real e as consequências, inevitáveis. O mal, portanto, não é um ser ou uma entidade primordial, mas um desvio do bem — um caminho que poderia ter sido evitado.
Muitos filósofos cristãos, como Agostinho de Hipona, ensinaram que o mal não tem existência própria; é como uma ferrugem na natureza boa, um defeito, não uma substância. Da mesma forma, o pecado e o sofrimento não nascem de Deus, mas do uso errado da liberdade que Ele concedeu.
Assim, a pergunta “quem criou o mal?” talvez deva ser reformulada: não se trata de autoria, mas de origem. E a resposta aponta, não para um criador do mal, mas para um mundo onde o amor exige risco — o risco da escolha. E nesse cenário, o mal existe, mas não vence.
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