Jesus no Islã: Profeta, mas não Filho de Deus
Para o islamismo, Jesus — conhecido como Isa em árabe — é uma figura de profundo respeito e reverência. Ele é considerado um dos grandes profetas enviados por Deus, ao lado de Moisés, Abraão e Maomé, sendo mencionado mais de 90 vezes no Alcorão. No entanto, há uma diferença fundamental entre a visão islâmica e a cristã sobre sua natureza.
Os muçulmanos acreditam que Jesus nasceu de uma virgem, Maria (ou Maryam), e que realizou milagres por vontade divina, como curar os doentes e ressuscitar os mortos. Mesmo assim, rejeitam veementemente a ideia de que ele seja divino ou filho de Deus. Para o islã, a divindade pertence exclusivamente a Alá, e atribuir-lhe filhos ou parceiros é considerado uma grave ofensa ao princípio do monoteísmo puro.
Outro ponto crucial é a morte de Jesus. Diferente do cristianismo, o islamismo não aceita que Jesus tenha sido crucificado. O Alcorão afirma que foi feita a aparência de sua morte, mas que ele foi, na verdade, elevado vivo ao céu por Deus. Acredita-se que retornará no fim dos tempos como sinal do Dia do Juízo, cumprindo um papel messiânico, mas sempre como servo e mensageiro de Alá — jamais como divindade.
Essa visão, aliás, não é exclusiva do islã. Muitas tradições religiosas ao longo da história viram com desconfiança ou escândalo a ideia de um homem ser igual a Deus. Para os muçulmanos, como para judeus e outros, a separação entre o Criador e a criatura é inegociável. Jesus, portanto, é honrado como profeta e modelo de pureza, mas nunca adorado como Deus.
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