Quando a melatonina é realmente indicada?

Muitas pessoas recorrem à melatonina como uma solução rápida para dormir melhor, mas o uso dessa substância precisa ser bem compreendido. Contrariamente ao que muitos pensam, a melatonina não é um remédio para dormir nem um suplemento voltado ao público geral. Segundo Dalva Poyares, médica especialista em Medicina do Sono, seu uso é indicado apenas em casos específicos e sob orientação médica.

Um dos grupos que pode se beneficiar é o de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), em que a melatonina ajuda a regular padrões irregulares de sono. Também é indicada para indivíduos com deficiência visual, especialmente aqueles sem percepção de luz, já que o corpo deles não consegue sincronizar naturalmente o ritmo sono-vigília com o ciclo dia-noite. Além disso, pacientes com distúrbios do ritmo circadiano — como o atraso de fase do sono — podem receber a substância para ajudar a ajustar o relógio biológico.

É importante destacar que a automedicação com melatonina pode trazer riscos. Em muitos países, ela está disponível sem prescrição, mas isso não significa que seja segura para todos. O uso inadequado pode desregular ainda mais o sono ou causar efeitos colaterais como sonolência diurna, tonturas e alterações no humor.

Antes de pensar em tomar melatonina, o ideal é procurar um especialista em sono. Muitas vezes, mudanças simples no estilo de vida — como manter horários regulares para dormir, evitar telas antes de deitar e criar um ambiente propício ao descanso — são mais eficazes e seguras. A melatonina, quando necessária, deve ser usada com cuidado e com acompanhamento médico.

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