O Uso Correto de Conectivos na Língua Portuguesa

Na busca por uma escrita mais fluida e expressiva, é comum surgir a dúvida: é permitido utilizar dois conectivos seguidos na mesma oração? Essa questão frequentemente confunde estudantes e profissionais que desejam enriquecer seus textos, mas a regra gramatical é clara e preza pela concisão.

De acordo com o renomado professor Pasquale Cipro Neto, a resposta depende diretamente da função que esses termos desempenham. Se os conectivos pertencerem ao mesmo grupo semântico, o correto é usar apenas um deles. Expressões como "mas porém" ou "logo portanto" são consideradas redundâncias viciosas, uma vez que as duas palavras transmitem exatamente a mesma ideia — oposição no primeiro caso e conclusão no segundo.

A repetição desnecessária prejudica a clareza e a elegância do texto. Em vez de reforçar o argumento, o acúmulo de conjunções sinônimas cria um pleonasmo que deve ser evitado tanto na fala culta quanto na escrita formal. Para manter a norma-padrão, o autor deve escolher a palavra que melhor se ajusta ao ritmo da frase.

Por outro lado, a combinação de conectivos é legítima quando eles possuem funções diferentes no período. Isso acontece, por exemplo, quando uma conjunção coordenativa introduz a oração principal e, logo em seguida, uma conjunção subordinativa inicia uma frase intercalada, como em: "Ele estudou muito, mas, se não mantiver o foco, não passará".

Portanto, o segredo para uma boa comunicação não está na quantidade de conectivos acumulados, mas sim na precisão da escolha vocabular. Conhecer o valor semântico de cada conjunção evita repetições desnecessárias e garante um texto muito mais elegante, coeso e direto ao ponto.

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