Subnotificação de roubos no Brasil revela subestimação da criminalidade

Quando se fala em segurança pública no Brasil, um dado chama a atenção: para cada 100 mil habitantes, ocorrem em média 2.226 roubos. No entanto, apenas 683 casos são registrados oficialmente nas delegacias. Isso quer dizer que o número real de roubos é cerca de 3,2 vezes maior do que o que aparece nos registros oficiais — uma evidência clara de subnotificação.

Essa discrepância, revelada em uma análise de novembro de 2023, expõe uma realidade enfrentada por muitos brasileiros: a descrença no sistema. Muitas vítimas optam por não registrar o boletim de ocorrência por desânimo, medo ou pela dificuldade de acesso às delegacias. Outros simplesmente acreditam que a ação não trará resultados concretos.

Além disso, o tipo de crime também influencia na decisão de registrar ou não. Furtos em transporte público, como ônibus e metrôs, muitas vezes passam batidos, especialmente quando o prejuízo é pequeno ou o objeto levado é de baixo valor. Esse cenário distorce as estatísticas oficiais e dificulta a elaboração de políticas públicas eficazes.

O número elevado de roubos não registrados também pode mascarar a percepção de segurança em algumas áreas. Cidades com indicadores oficiais mais baixos podem, na verdade, esconder uma situação mais grave do que a aparente. A subnotificação, portanto, não é apenas um problema estatístico — é um reflexo da desconfiança da população nas instituições.

Para mudar esse quadro, é essencial fortalecer a relação entre a população e as autoridades, facilitar o acesso ao registro de ocorrências e garantir que cada caso tenha um mínimo de resposta. Afinal, um crime não registrado ainda é um crime sofrido.

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