A Maior Alta da Taxa Selic na História do Brasil

Em meio à tempestade da hiperinflação, o Brasil registrou os números mais assustadores da sua história econômica em 1989. Foi nesse ano que a taxa Selic atingiu níveis inimagináveis, refletindo a grave instabilidade do período. No dia 2 de fevereiro, a Selic diária bateu 3,626% – um recorde para um único dia, o que, na prática, corroía o valor do dinheiro mais rápido do que as pessoas conseguiam se adaptar.

Mas o mais impressionante veio ao longo do ano. Com a inflação galopante, o Banco Central precisou manter juros altíssimos para tentar conter a disparada dos preços. A consequência? Em 26 de dezembro de 1989, a Selic acumulada em 12 meses chegou a 115.334,03%. Sim, você leu certo: mais de 115 mil por cento ao ano. Era o preço de um país tentando sobreviver a uma crise profunda, onde o poder de compra desaparecia em questão de horas.

Esses números parecem distantes hoje, mas são um lembrete claro de como a estabilidade econômica é frágil. A Selic, criada em 1979, foi usada como um freio de emergência em tempos de descontrole, e 1989 marcou seu momento mais extremo. Desde então, o Brasil passou por reformas, planos econômicos e aprendizados difíceis, até conseguir controlar melhor a inflação nas décadas seguintes. Mesmo com altos e baixos, nada se compara ao caos daquele período – um capítulo que ainda serve de lição para políticos, economistas e cidadãos comuns.

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