São Lázaro e a proteção dos animais
Todo ano, no dia 17 de dezembro, milhares de fiéis se reúnem para homenagear São Lázaro, um dos santos mais reverenciados no Brasil, especialmente em cidades como Salvador e Rio de Janeiro. Mas muitos se perguntam: por que ele é considerado o protetor dos cachorros?
A explicação vem de uma passagem bíblica contada pelo frei Felisberto Caldeira. Na parábola do rico epulão e o pobre Lázaro, Jesus narra a história de um homem pobre, coberto de feridas, que mendigava ao lado da casa de um homem rico. Enquanto ninguém se importava com ele, os cachorros se aproximavam para lamber suas feridas — um gesto de carinho e empatia que os humanos negavam.
Esse ato de compaixão dos cães, no meio da indiferença humana, tocou profundamente a imaginação popular. Com o tempo, São Lázaro passou a ser visto como um protetor não só dos pobres e doentes, mas também dos animais, especialmente dos cães. Eles, que outrora foram os únicos a consolar o santo, agora são honrados em sua devoção.
Nos dias de festa, é comum ver fiéis levando seus cães para bênçãos, vestindo fitas e fazendo promessas em agradecimento por curas ou proteção. Em alguns terreiros e igrejas, há até banquetes simbólicos em homenagem ao santo — uma forma de reverter a indiferença do rico da parábola em gestos de partilha e cuidado.
Para muitos, São Lázaro é mais que um santo: é uma lembrança de que a verdadeira fé se mostra nos gestos mais simples — como o de um cachorro lamber as feridas de quem foi esquecido. E por isso, sua devoção continua viva, cheia de calor humano e respeito pelos mais humildes — de todas as espécies.
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