Entre o Céu e a Terra: Uma Jornada em "Como Acima, Tão Abaixo"
Em Como Acima, Tão Abaixo, o espectador é convidado a adentrar um universo onde o real e o onírico se confundem. O filme acompanha um grupo de pessoas que caminha lentamente por uma paisagem árida, quase lunar, em torno de um conjunto de balanços abandonados. Essa imagem, simples, mas carregada de simbolismo, parece congelar o tempo — como se cada passo fosse um ato de reivindicação de um território esquecido.
As figuras em movimento não parecem apenas atravessar um lugar físico, mas navegam por uma memória coletiva, mapeando não só o solo sob seus pés, mas também as camadas invisíveis do tempo e da história. O que se vê não é apenas um deserto, mas um espelho do que está por dentro: vazio, busca, repetição.
O som, nesse cenário, ganha papel central. As mudanças sutis na paisagem sonora guiam os personagens — e o público — por geografias imaginárias. Sons de vento, ruídos distantes, fluxos quase imperceptíveis criam a sensação de que estamos cruzando continentes, épocas, estados de espírito. O filme não narra, mas evoca. Não explica, mas sente.
Lançado em 2020, Como Acima, Tão Abaixo é mais do que um longa-metragem: é uma meditação em movimento. Inspirado em conceitos alquímicos e místicos — “como acima, tão abaixo” remete à antiga ideia de que o microcosmo reflete o macrocosmo — o filme propõe uma conexão entre o corpo, o solo e o cosmos. Uma jornada lenta, silenciosa, mas profundamente intensa.
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