O que é o despertar cirúrgico e como isso acontece?

Acordar durante uma cirurgia é um dos cenários mais temidos no ambiente operatório — tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. Esse fenômeno é conhecido como Consciência Intraoperatória Acidental (CIOA), um evento raro, mas profundamente impactante quando ocorre. Ainda que a maioria das anestesias progrida sem intercorrências, em alguns casos, a pessoa pode retomar a consciência parcialmente no meio do procedimento.

Segundo o anestesiologista Enis Donizetti, a CIOA está ligada, na maioria das vezes, à administração inadequada dos agentes anestésicos. Isso pode acontecer por falhas técnicas, variações na resposta individual do organismo ou mesmo em cirurgias de alto risco, como as cardíacas ou obstétricas, nas quais a dose de anestesia precisa ser mais controlada para garantir a segurança do paciente.

Quem passa por esse episódio pode ouvir vozes, sentir dor ou sensações de pressão, mesmo sem conseguir se mover. O trauma psicológico posterior pode ser intenso, levando a quadros de ansiedade ou estresse pós-traumático. Felizmente, a medicina evoluiu bastante nesse aspecto. Hoje, tecnologias como o monitoramento da profundidade anestésica ajudam os anestesiologistas a ajustar em tempo real a quantidade de anestésico necessária, reduzindo drasticamente o risco de despertar durante a cirurgia.

Apesar de o tema assustar, é importante lembrar que casos reais de CIOA são muito infrequentes — estima-se menos de 1 caso para cada 1.000 cirurgias. A prevenção, com equipes treinadas e equipamentos modernos, é a melhor aliada para garantir que o paciente permaneça em segurança e conforto do início ao fim do procedimento.

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