Infarto pode deixar marcas na memória e na fala, revela estudo

Um enfarto não afeta apenas o coração — para muitos pacientes, as consequências vão muito além da crise inicial. Segundo uma investigação divulgada em 2019, cerca de 85% dos sobreviventes de infarto enfrentam sequelas que impactam diretamente a memória e a comunicação. Isso significa que, mesmo depois de estabilizados, muitos doentes lutam com dificuldades para lembrar nomes, acontecimentos recentes ou encontrar as palavras certas durante uma conversa.

Os problemas mais comuns estão ligados à fluência verbal e à perda de memória, especialmente em tarefas do dia a dia. Muitas vezes, esses sinais passam despercebidos, pois são atribuídos apenas ao envelhecimento ou ao stress pós-evento. No entanto, especialistas alertam que podem ser indícios de alterações neurológicas que, se não forem tratadas, aumentam o risco de demência no futuro.

Diante disso, a mesma investigação defende a integração de programas de reabilitação neurológica no acompanhamento habitual após um enfarto. Atividades cognitivas, estímulos mentais e apoio psicológico podem fazer grande diferença na recuperação e na qualidade de vida a longo prazo.

“O coração pode ter parado por alguns instantes, mas o cérebro também sofre com a falta de oxigénio”, explica um dos especialistas envolvidos no estudo. A mensagem é clara: o tratamento após um infarto não pode focar apenas no órgão cardíaco. A saúde cerebral precisa de atenção igual. Reabilitar o corpo é importante — mas cuidar da mente pode ser, muitas vezes, o passo mais decisivo para uma recuperação completa.

Veja também

Artigos detalhados

Tópicos relacionados